A prisão em flagrante do Cabo Campos, do oitavo batalhão da Polícia Militar do Maranhão, gerou um clima de revolta contra o Cabo Campos dentro da própria corporação.

Cabo Campos preso por incitação à tropa
A prisão do cabo Campos ocorreu,nessa terça-feira(15), quando o mesmo tentava incitar os policiais do Choque a se rebelarem contra uma determinação do comandante-geral, coronel Franklin Pacheco, a qual determinava que os policiais do Choque ficassem de prontidão dentro do Batalhão, em decorrência de iminentes distúrbios sociais em razão da greve dos rodoviários.
“A atitude do Cabo Campos, em incitar policiais a se rebelarem contra uma determinação superior, foi irresponsável e completamente equivocada. A determinação visava exclusivamente garantir a manutenção da ordem social, caso fosse necessário, motivada pela greve dos rodoviários”, esclareceu cel. Ivaldo.
Para o Coronel Ivaldo – que foi um dos líderes da greve dos militares, deflagrada em novembro do ano passado, na luta por melhorias salariais – uma coisa é o policial, organizado e devidamente respaldado por uma entidade representativa da corporação, buscar as devidas melhorias para o conjunto da categoria. Outra completamente diferente, e inaceitável, é o policial, de forma isolada e atendendo somente aos seus interesses pessoais, como foi a atitude do cabo Campos, tentar colocar por terra toda uma disciplina e hierarquia secular da instituição. “Se permitimos que a disciplina e a hierarquia sejam quebradas, o que restará da Polícia Militar do Maranhão?”, questionou.
O blog ouviu ainda outros policiais do Choque que estavam presentes no episódio que resultou na prisão em flagrante do Cabo Campos por incitação. “O Campos tomou veneno, sabendo que estava tomando veneno; e quem toma veneno sabendo, quer mesmo é se suicidar”, disse um policial.
Outro militar ouvido pelo blog disse em tom de gozação: “Ora, até no Oscar Frota tem disciplina. Lá, por exemplo, o cliente pode se divertir com as garotas, fumar e beber à vontade, mas não pode cuspir no chão… Ora, por que não haveria de ter disciplina aqui na nossa instituição, que é uma das mais respeitáveis do Estado?… Esse rapaz não passa de um inconsequente!”.
Ainda no sentido de reprovar a atitude do Cabo Campos e em apoio às medidas adotadas pelo Comando Geral da Polícia Militar, a Associação dos Policiais e Bombeiros Militares do Estado do Maranhão (APBMMA) divulgou nota esclarecendo a posição da entidade com relação à prisão do cabo da Polícia Militar, o Cabo Campos.
A nota, assinada pelo presidente da APBMMA, Juarez de Morais Aquino Junior, diz que o Cabo Campos estava adotando uma postura política isolada, em desalinho com as atitudes adotadas pela maioria absoluta dos representantes de associações do Estado.
Leia:
NOTA
A Associação dos Policiais e Bombeiros Militares do Estado
do Maranhão – APBMMA vem a público informar que os atos que
ensejaram a prisão do Cb/PM Campos membro diretor da ASSEPMMA no
dia de hoje, encontra-se em total descompasso com as atitudes adotadas
pela maioria absoluta dos representantes de associações do Estado, em
especial deste, comportamento este desaprovado em reuniões anteriores,
incitar a militares a transgredir utilizando-se de uma determinação que
visava tão somente o beneficio da maioria da tropa, em um momento em
que verifica-se um esforço conjunto entre Associações, Comando e
governo, no sentido de construir um ambiente salutar em que possam ser
expostos os problemas e discutido soluções, não é a medida mais
coerente a ser adotada
Pedido pessoal fora feito ao Sr. Mendes, Diretor Administrativo da
ASSEPMMA para que, ainda que disponibilizado ao militar todo o apoio
jurídico que se fizer necessário, tome todas as medidas disciplinares
previstas em estatuto a fim de disciplinar tais comportamentos isolados,
com propósito de enaltecimento político, que colocam em xeque a
credibilidade das entidades e propiciam o entrave no processo de
negociação, que encontra-se pavimentado em confiança mútua entre
governo e entidades.
Faz-se necessário que alguns diretores repensem seu papel e
suas responsabilidades, afinal somos representantes de classe, porém,
somos militares regidos por regulamentos disciplinares, que a todo custo
devem ser respeitados, haja vista, a admiração e o respeito dispensada
pela sociedade para conosco, advém da preservação dos valores do
respeito e da disciplina.
São Luis, 15 maio de 2012
Juarez de Morais Aquino Junior
Presidente da APBMMA